Política

“Quanto pior, melhor”? Para quem? Com essa política ninguém ganha, todos perdem!

  • Publicado em 23/Out/2018 às 17h37 ( atualizado às 17h52).

Por Claudemir Brito
Da redação

Não é de hoje que a oposição vem pregando essa política contra o governo Pedro Fernandes – “quanto pior, mellhor”. Quem acreditar que esse tipo de pessoa está pensando em Porangatu é mesmo inocente, pois, o que fazem, na realidade, é pensar apenas neles próprios e em seus partidos políticos.

Briga entre oposição e situação projeta uma imagem errônea de Porangatu para o mundo através das redes sociais. Isso pode prejudicar por exemplo a vinda de investidores para cá. Quem teria coragem de investir em uma cidade onde boa parte da população vive em pé de guerra por causa de poder? Logo após as eleições de outubro, percebe-se uma onda de denuncismo que invadiu os grupos de WhatsApp e em menos de 24 horas, uma meia dúzia de pessoas foi capaz de inflamar uma cidade inteira, colocando executivo e legislativo de Porangatu na linha de fogo.

Tudo começou com uma denúncia apresentada na Câmara, por um ex-vereador que em 2010 foi preso e posteriormente teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por improbidade administrativa. Enquanto isso, nas redes sociais, outros militantes ligados ao ex-prefeito Eronildo Valadares empolgados com a vitória de Ronaldo Caiado, e a derrota de velhos políticos tucanos, aproveitaram a oportunidade para espalhar que a atual gestão municipal havia desviado dinheiro da previdência municipal, e por causa disso, dificilmente os servidores públicos iriam conseguir se aposentar. Supostas empresas fantasmas e contratos fraudulentos entraram no pacote. A notícia viralizou e em uma reunião tensa, os vereadores prometeram iniciar uma investigação.

Frustrada a possibilidade de ver o prefeito sair sem o mandato da Câmara apenas com as denúncias via WhatsApp, e alertados pelos vereadores que na vida real é preciso seguir os trâmites legais, a guerra voltou para o mundo digital. A suposta demissão de funcionários do cemitério, o acidente da ambulância do SAMU e a água acumulada nas ruas que há anos estão sem asfalto já foram motivos para mais umas centenas de discussões quase sempre acaloradas durante o dia de hoje. Até esse texto ser publicado uma pauta extensa de reivindicações já deve ter sido apresentada nos grupos.

O atual prefeito Pedro Fernandes nesse momento delicado da gestão, enfrenta uma crise financeira sentida em todo o país pelas prefeituras, com quedas nos repasses e também política, porque boa parte dos seus candidatos não conseguiram se reeleger nas eleições de outubro. A representatividade do municipio está nas mãos de gente de outras regiões que provavelmente irá tentar formar suas bases na região norte. Espero.

E as críticas não escolhem endereços e respingam também na Câmara Municipal. Na sessão de ontem, o vereador Pedro Almeida rebateu as críticas de que os vereadores teriam se vendido para o executivo. Até os eleitos no palanque da oposição se tornaram alvos das especulações.

Resumindo: essa briga política em Porangatu não vai construir ponte, hospital, creche, e não dará estabilidade na vida das pessoas. Até pode ser interessante para quem participa da briga, mas o resultado é sempre catastrófico. Isso não significa que não deva haver o debate das ideias, o contraponto das lideranças políticas. Mas o objetivo tem de ser somar, trazer qualidade.

Na democracia, o papel da oposição é claro: fiscalizar a administração, os atos dos governantes, atuar como agente capaz de aperfeiçoar proposições de governo, ser catalisadora das demandas e insatisfações populares e, de certa forma, ajudar o governo a errar menos e administrar melhor, criticando, apontando equívocos e incongruências, destacando as consequências de desacertos e denunciando erros e omissões. Oposição competente contribui para se alcançar o objetivo da ação política. Além disso, deve ser propositiva e apresentar caminhos diferentes dos atuais para garantir maior eficiência do setor público e possibilitar o constante crescimento do município.

A oposição em Porangatu não segue esses parâmetros; é sempre contra e faz oposição por oposição, sem linha definida e sem nenhuma coerência.