Cidades

Mais de 20% da mão de obra da construção de penitenciária em Cariri é composta por reeducandos

“Estão produtivos, aqueles que se dispuseram e se identificaram com as atividades. Ganham um salário mínimo da empresa Verdi Sistemas Construtivos S.A, pago diretamente em conta corrente aberta para eles”, explica.

  • Publicado em 06/Nov/2018 às 12h14 ( atualizado às 12h19).



São 115 profissionais envolvidos diretamente na construção da Unidade de Tratamento Penal de Cariri (UTPC), penitenciária que o Governo do Estado está construindo no município de Cariri do Tocantins, a 228 km de Palmas. Deste total, 25 são reeducandos do Centro de Reeducação Social Luz do Amanhã (CRSLA), também em Cariri, na mesma área geográfica da nova unidade penal. Isso corresponde a mais de 20% da mão de obra. Contratados como ajudantes, eles estão em várias frentes de trabalho há cerca de dois meses.

Alguns reeducandos já têm experiência em construção civil, mas outros necessitaram passar por capacitação para as funções. Segundo o engenheiro civil e de Segurança do Trabalho, Cairo Micael, o trabalho dos reeducandos está satisfatório. “Estão produtivos, aqueles que se dispuseram e se identificaram com as atividades. Ganham um salário mínimo da empresa Verdi Sistemas Construtivos S.A, pago diretamente em conta corrente aberta para eles”, explica.

O reeducando M.S.S, 27 anos, que cumpre pena por tráfico há pouco mais de um mês, e tem formação em Técnico em Informática, conta que nunca trabalhou com construção civil profissional e que está agradecido pela oportunidade. Ele é operador de betoneira. “É gratificante, porque estou remindo minha pena, sendo remunerado e contribuindo para a melhoria da segurança do estado. Aqui, aprendi mais um ofício”, conta. Ainda segundo ele, apesar da sociedade recriminar o egresso (ex-reeducando), o que ele não quer é voltar para o mundo do crime.

Também na construção, o reeducando A.E.D.L, 38 anos, é eletricista profissional e está cumprindo pena há quase três anos também por tráfico de drogas. “A melhor coisa que já surgiu para mim nos últimos anos foi isto aqui [trabalhar na obra]. Certamente nos abrirá novas portas quando estivermos lá fora. Terminamos nossos dias cansados, mas contentes e ansiosos para chegar o novo dia e podermos trabalhar na construção”, relata.

De acordo com o secretário de estado da Cidadania e Justiça, Heber Fidelis, oportunizar a participação de reeducandos em obras de construção, reformas e melhorias das próprias unidades prisionais é um dos víeis de reeducação social defendido pelo Governo. “Fizemos gestão junto à construtora e à Justiça, esclarecendo essa premissa, para que os reeducandos de Cariri pudessem trabalhar”, conta.

576 vagas

O número total de profissionais envolvidos na obra, contando com reeducandos, deve aumentar para 173 no próximo mês, para acelerar os trabalhos. A engenharia da obra pretende entrar no mês de novembro com 50% de sua estrutura executada. A unidade está sendo construída em Sistema Modular desde o dia 10 de julho e visa a abertura de mais 576 vagas para reeducandos no Sistema Penitenciário Prisional do Tocantins.

Prevista inicialmente para ser entregue no dia 6 de janeiro de 2019, a nova data de entrega da unidade é meados de fevereiro, devido à necessidade de dobrar o volume de terraplenagem, por conta do solo rochoso, de aumentar o aterro e ainda prevendo o período chuvoso que se aproxima. Os recursos são da ordem de R$ 32 milhões, oriundos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), via transferência para o Fundo Penitenciário Estadual (Funpes).





Fonte Secom