Fundada em 1895 e banhada pelo rio Tocantins, cidade ainda não transformou suas riquezas naturais em prosperidade econômica; cenário se repete em municípios da região sul do Estado.
Peixe (TO) – No próximo dia 20 de junho de 2025, o município de Peixe, no sul do Tocantins, completa 130 anos de história desde sua fundação em 1895. Marcada pela força do rio Tocantins, sua beleza natural e posição estratégica, a cidade celebra mais de um século de existência carregando uma pergunta que atravessa gerações: por que Peixe, com tanto potencial, ainda não prosperou economicamente por meio do turismo?
A pergunta se estende a outras cidades vizinhas, também situadas às margens de grandes rios ou próximas da Ilha do Bananal, como Formoso do Araguaia, São Valério, Sandolândia e Lagoa da Confusão, todas com recursos naturais que poderiam alavancar o turismo ecológico, esportivo e de aventura — mas que, de maneira geral, enfrentam os mesmos obstáculos ao longo da história.
Peixe possui uma das orlas fluviais mais atrativas do Estado, com praias de água doce, balneários e áreas propícias para esportes náuticos e pesca esportiva. No entanto, a cidade não consolidou um plano sustentável de turismo, nem desenvolveu uma estrutura consistente de hospedagem, mobilidade, marketing e eventos que transformasse o potencial em renda estável e geração de empregos.

Barra do Rio Verde, em Sandolândia. Turismo também pouco explorado. Foto: Divulgação
Especialistas apontam fatores como:
- Falta de investimentos públicos contínuos na infraestrutura turística
- Descontinuidade administrativa, com mudanças de gestão que interrompem políticas de longo prazo
- Baixa articulação entre iniciativa privada e poder público
- Pouca capacitação profissional voltada ao setor
- Ausência de uma marca turística regional integrada, que una os municípios do entorno da Ilha do Bananal e do rio Tocantins em projetos conjuntos
Mesmo com essas limitações, moradores e empreendedores locais continuam apostando no turismo como alternativa de crescimento. Projetos independentes, eventos sazonais e parcerias com o setor público vêm sendo retomados aos poucos.
A chegada dos 130 anos pode ser um marco simbólico para rediscutir o papel de Peixe e municípios vizinhos na economia do Tocantins. A pergunta que ecoa — por que não prosperamos com tudo isso ao nosso redor? — talvez seja o ponto de partida para uma nova fase de planejamento e ação concreta, com foco em transformar potencial em oportunidade real.



