
Sem abrigo, sem centro de zoonoses e com apoio limitado, município enfrenta desafio prático para cumprir pedido feito pelo próprio Legislativo.
Alvorada (TO) – O Pedido de Providência nº 001/2025, apresentado pelo grupo de vereadores conhecido como “Quarteto Mengoni”, cobra da Prefeitura de Alvorada medidas urgentes em relação aos cães e gatos abandonados nas ruas da cidade. No entanto, a própria realidade do município contradiz a viabilidade da proposta: Alvorada não possui abrigo público, centro de zoonoses ou qualquer estrutura mínima para acolhimento de animais resgatados.
A solicitação, assinada pelo vereadores Djalma Falcão, Leonardo Rinaldi, Matheus Tavares e pelo presidente da Câmara, Douglas Mengoni, expõe um problema recorrente, mas não aponta soluções práticas diante da ausência total de políticas públicas voltadas à causa animal. Atualmente, os cuidados emergenciais com cães e gatos abandonados dependem exclusivamente do esforço de cuidadores independentes e de uma associação localizada em Gurupi, a mais de 100 km de distância.

Na justificativa do requerimento, os vereadores destacam a ameaça à saúde pública e citam até casos de ataques a moradores. Contudo, não é apresentada nenhuma sugestão concreta a curto e longo prazo de como o município, sem orçamento definido para a área e sem local físico para manter os animais, poderia executar a medida.

O apelo por providências, embora pertinente diante do cenário de abandono e riscos sanitários, escancara um impasse administrativo: cobrar ações imediatas de um Executivo que sequer dispõe dos meios básicos para agir. O pedido, na prática, esbarra na falta de planejamento, estrutura e investimento voltado ao controle populacional e ao bem-estar animal.
Diante disso, especialistas e defensores da causa animal ouvidos pelo portal CB apontam que a solução exige mais do que ofícios e requerimentos — é necessária a criação de políticas públicas permanentes, destinação orçamentária específica e a construção de parcerias regionais. Sem isso, o risco é de que os animais continuem nas ruas, os problemas persistam e os pedidos fiquem apenas no papel.
Imagem ONG Cão Sem Fome/ Divulgação


