Se ter carro demais fosse problema, Gurupi já estaria na Fórmula 1. Mas por enquanto, só resta a dúvida: é excesso de zelo ou de zelo pelo excesso?
Gurupi (TO) – Se depender da Câmara Municipal de Gurupi, carro oficial vai ser o que não vai faltar. Seis meses depois de assumir o comando da Casa com uma frota zerada de Toyota Yaris novinhos em folha, o presidente Ivanilson Marinho (PL) decidiu que ainda não era o bastante: publicou edital para alugar mais 17 veículos, pelo singelo valor estimado de R$ 733.554,59. Detalhe: tudo sem motorista, mas com o tanque cheio de interrogações.

A licitação, marcada para 4 de agosto, vem no embalo de uma gestão que assumiu um Legislativo com orçamento mensal superior a R$ 1 milhão e carros praticamente saídos da concessionária. Os veículos foram comprados no fim da gestão de Valdônio Rodrigues, substituindo os modestos Volkswagen Gol que antes serviam aos vereadores. Mas, aparentemente, a frota nova não era suficiente para a ambição — ou necessidade? — da atual administração.

É difícil entender o motivo da pressa. Talvez os carros novos estejam tímidos na garagem. Ou quem sabe estejam reservados apenas para ocasiões especiais, como inaugurações de placas, audiências públicas ou viagens legislativas de última hora. Ou, quem sabe, o problema seja mais profundo: não há como ser eficiente legislador se não houver pelo menos um carro por gabinete, outro para eventos e um terceiro para “contingência”.

Na foto, presidente da Câmara de Gurupi Ivanilson Marinho (esq), com o secretário e namorado da prefeita Josi Nunes, Diego Marinho. Foto: Divulgação
Ivanilson, como se sabe, não anda sozinho. Mantém relação próxima com a prefeita Josi Nunes (União) e com seu namorado, o secretário Diego Marinho, espécie de coordenador informal da base governista. É o trio que dita o ritmo e os rumos da política municipal.
Enquanto isso, fora das garagens da Câmara, a população segue enfrentando problemas crônicos na infraestrutura, e na saúde. Mas nada disso deve preocupar tanto quanto o conforto das rodas do poder.
No fim das contas, pode ser que a licitação seja legal, dentro das normas e das necessidades administrativas. Mas fica a pergunta que nem o edital responde: será que os vereadores precisam mesmo de mais carros, ou é só o poder querendo acelerar um pouco mais — mesmo que a cidade fique para trás no retrovisor?



