
Por Claudemir Brito/Da redação
Ano após ano, no período chuvoso, o problema do asfalto volta a aparecer em muitas cidades. Mas, junto com ele, também reaparece um velho costume de parte da oposição: transformar buracos em palco, poças d’água em cenário e dificuldades reais da população em espetáculo para redes sociais.
Enquanto muitos prefeitos enfrentam o desafio de administrar municípios que herdaram uma malha asfáltica antiga, deteriorada e sem a devida manutenção ao longo de muitos anos, opositores preferem apostar na encenação. Em vez de reconhecer a complexidade do problema, surgem vídeos ensaiados, pulos dentro de crateras, pescarias em poças d’água e discursos prontos para viralizar. É muito barulho para pouca solução.
A verdade é que boa parte dos gestores municipais recebeu ruas já comprometidas pelo tempo, pelo desgaste natural e pela ausência de investimentos estruturais em administrações passadas. E quem conhece minimamente a realidade das cidades sabe que não existe solução mágica. Recuperar uma malha asfáltica velha exige planejamento, recursos altos, projetos técnicos e tempo. Não se reconstrói anos de abandono da noite para o dia.

Por isso, é injusto tentar jogar toda a responsabilidade no colo dos atuais prefeitos, como se o problema tivesse surgido agora. Mais injusto ainda é usar a dificuldade da população como ferramenta de marketing político. Quem realmente quer ajudar cobra com seriedade, propõe caminhos e contribui para o debate. Quem prefere o deboche e a performance mostra que está mais preocupado com curtidas do que com solução.
Prefeitos sérios sabem que tapa-buraco, muitas vezes, é apenas medida emergencial. E em período chuvoso, nem sempre o serviço apresenta a durabilidade ideal, justamente porque o problema vai muito além da superfície. Em vários casos, o que as cidades precisam é de recapeamento completo, reconstrução de base e melhoria na drenagem, não de show montado em frente a uma poça d’água.
A população merece respeito. Merece gestores comprometidos em buscar recursos, planejar obras e enfrentar problemas antigos com responsabilidade. E merece também maturidade no debate público. Porque quem pula dentro de buraco para gravar vídeo pode até ganhar engajamento por alguns minutos, mas não resolve um metro de asfalto.
No fim, fica evidente a diferença entre quem administra e quem apenas explora. De um lado, prefeitos lidando com a realidade dura, com limitações orçamentárias e com passivos herdados. Do outro, uma oposição que, em muitos casos, aposta no circo para tentar colher dividendos políticos. Buraco em rua é problema sério. Transformá-lo em palanque é ainda pior.


