Por Claudemir Brito
Um dos contrastes mais interessantes da disputa para deputado federal em Goiás aparece neste momento entre a enorme expectativa construída em torno da candidatura de Bruno Peixoto União Brasil (UNIÃO) e o desempenho registrado em algumas pesquisas municipais.
E há um detalhe fundamental: a expectativa de uma votação muito alta não ficou no passado e nem foi abandonada depois do início da campanha.
Em reportagem publicada pelo Jornal Opção em 12 de setembro, portanto já depois da divulgação da pesquisa realizada em Porangatu, 18 políticos e dois conselheiros de tribunais de contas foram consultados sobre os candidatos que poderiam alcançar as maiores votações para deputado federal.
Segundo a publicação, permanece entre as fontes ouvidas a expectativa de que Bruno Peixoto ultrapasse 200 mil votos em Goiás. Algumas projeções citadas pela reportagem colocam sua votação numa faixa entre 180 mil e 250 mil votos.
Esse dado é importante porque mostra que, mesmo diante dos primeiros termômetros municipais, as projeções estaduais em torno de Bruno continuam extremamente elevadas.
E é justamente aí que surge o contraste.
📊 EM PORANGATU, BRUNO APARECE COM 4%
Pesquisa do Instituto IGAPE, realizada entre os dias 2 e 4 de setembro, mostra Bruno Peixoto com 4,0% das intenções de voto para deputado federal em Porangatu, na quinta posição entre os nomes citados.
O levantamento apresentou:
Gláucia Melo — 20,0%
José Nelto — 10,9%
Professor Alcides — 4,8%
Delegado Waldir — 4,1%
Bruno Peixoto — 4,0%
A pesquisa ouviu 500 eleitores, possui margem de erro de 4,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Outros 40,1% não souberam ou não opinaram, o que demonstra que ainda existe uma parcela significativa do eleitorado sem preferência declarada. O levantamento está registrado sob o número GO-00207/2026.
O resultado chama atenção justamente pelo tamanho da expectativa criada em torno da candidatura.
Desde antes do período eleitoral, Bruno Peixoto vinha sendo citado em reportagens e avaliações de lideranças políticas como um possível candidato a superar a marca dos 200 mil votos.
Em setembro de 2025, por exemplo, reportagem do Jornal Opção já o colocava entre os nomes do chamado “clube dos 200 mil”.
Depois, já em 2026, as projeções continuaram.
Reportagens apontaram a estrutura política montada pelo presidente da Assembleia Legislativa, sua presença em diferentes municípios, articulação de lideranças e construção de uma ampla rede de apoios pelo Estado.
E o mais significativo é que, em setembro de 2026, a expectativa dos 200 mil votos permanece viva.
Portanto, não estamos comparando a pesquisa de Porangatu com uma previsão antiga que já tenha sido abandonada.
Estamos comparando duas fotografias políticas praticamente simultâneas:
➡️ De um lado, lideranças e analistas políticos continuam projetando Bruno Peixoto na faixa dos 200 mil votos ou mais em Goiás.
➡️ Do outro, em um dos principais municípios do Norte Goiano, o candidato aparece com 4,0%, atrás de quatro outros nomes.
É essa diferença que merece atenção.
A questão política agora não é apenas saber se Bruno Peixoto será eleito. É observar se a extensa rede de apoios construída pelo presidente da Alego será efetivamente convertida em votos nas urnas.
Porangatu ganha importância nesse diagnóstico porque Bruno teve presença institucional e política no município durante o período que antecedeu a eleição.
Quando um candidato é projetado para uma votação estadual acima de 200 mil votos, naturalmente passa a existir interesse em observar sua capacidade de penetração também nos principais municípios do interior.
E, neste momento, o levantamento de Porangatu mostra um cenário bastante diferente daquela expectativa.
Isso não significa, porém, que os 4% em Porangatu possam ser utilizados para projetar automaticamente seu resultado em todo o Estado.
A própria pesquisa estadual do IGAPE divulgada em setembro colocou Bruno Peixoto com 3,7%, numericamente na segunda posição entre os nomes citados para deputado federal em Goiás, em um cenário muito pulverizado e dentro de uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
Na Região Metropolitana de Goiânia, outro levantamento do mesmo instituto registrou Bruno com 5,1%, atrás numericamente de Silvye Alves e Adriana Accorsi.
Portanto, a leitura mais prudente é outra:
existe hoje uma diferença clara entre a dimensão da expectativa política construída em torno da candidatura e os percentuais observados em alguns levantamentos.
E essa diferença torna a eleição de outubro ainda mais interessante.
Se Bruno alcançar efetivamente uma votação na faixa dos 200 mil votos ou mais, terá confirmado nas urnas uma projeção que políticos vêm fazendo há meses.
Caso a votação fique distante dessas estimativas, o resultado abrirá outra discussão: até que ponto grandes estruturas políticas, apoios de lideranças e presença institucional conseguem se transformar em voto pessoal para deputado federal.
No Norte Goiano, Porangatu já oferece um primeiro termômetro.
A projeção dos 200 mil votos continua muito alta. O desafio agora é transformar expectativa política em voto.
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