
Em diversas regiões do país, a chegada da pavimentação asfáltica tem sido recebida com entusiasmo pela população. Um exemplo recente ocorreu em Marechal Thaumaturgo, no Acre, onde moradores comemoraram o início das obras que substituem vias antes marcadas por irregularidades e uso de bloquetes.
Além disso, municípios como Bataguassu (MS) e Novo Gama (GO) também têm adotado a substituição de pavimentos intertravados por asfalto do tipo CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), com o objetivo de melhorar a mobilidade urbana, aumentar a durabilidade das vias e proporcionar mais conforto ao tráfego.
Em Formoso de Goiás, no entanto, a realidade segue em outra direção e tem gerado questionamentos por parte de moradores, especialmente na zona rural do município.
A administração do prefeito Halison do Leilão tem utilizado a pavimentação com bloquetes em algumas localidades. A escolha do material tem levantado dúvidas, principalmente quando aplicada em vias que exigem maior resistência, conforto e durabilidade.

No povoado de Morro do Campo, a prefeitura divulgou, por meio de canais institucionais, a entrega de um campo de futebol e de um trecho pavimentado com bloquetes. Segundo relatos encaminhados ao Portal CB, parte da comunidade avalia que as obras ficaram aquém das expectativas, considerando o tempo de gestão e as demandas por melhorias mais amplas na localidade.
De acordo com a planta de implantação, a pavimentação contempla uma extensão aproximada de 400 a 450 metros lineares de vias, incluindo trechos da Rua São Bom Jesus e acessos próximos a equipamentos públicos como escola, unidade básica de saúde (UBS) e o próprio campo de futebol. A largura média das vias é de cerca de 6 metros, totalizando uma área estimada em aproximadamente 2,6 mil metros quadrados de pavimentação.
Informações apontam ainda que o processo licitatório da obra foi iniciado em 2023 e concluído em 2025, com a definição da empresa responsável pela execução. O investimento foi de pouco mais de R$ 250 mil.

Além da extensão da obra, a escolha do material também gera debate técnico. Especialistas apontam que pavimentos com bloquetes podem apresentar maior ruído e trepidação, além de potencial aumento no desgaste dos veículos. Há também o risco de desnivelamento ao longo do tempo, especialmente quando a base não é executada de forma adequada, o que pode impactar a mobilidade de pedestres.
Paralelamente, moradores relatam problemas considerados mais urgentes na região, como a situação das estradas vicinais e de pontes, descritas como precárias. Segundo esses relatos, as condições atuais dificultam o transporte escolar e o escoamento da produção rural, afetando diretamente a rotina e a economia local.
O contraste com outras cidades que têm investido na substituição de bloquetes por asfalto amplia o debate sobre planejamento, critérios técnicos e prioridades na aplicação de recursos públicos.
Apesar das divulgações institucionais com avaliações positivas, a realidade apontada por moradores levanta uma reflexão recorrente: as intervenções realizadas atendem de forma efetiva às necessidades da população?
Procurada, a gestão municipal pode se manifestar sobre os pontos levantados. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.


