
Uruaçu (GO) – O vereador Fábio Rocha de Vasconcelos parece ter encontrado um novo conceito para a expressão “cargo de confiança”: ele mesmo. Em mais um capítulo da política local que desafia as normas e a lógica constitucional, Fábio tentou em agosto garantir seu quarto mandato consecutivo como presidente da Câmara Municipal de Uruaçu, como se a cadeira tivesse nome e sobrenome — o dele, claro.
A eleição, realizada no dia 11 de agosto de 2025, foi tão apressada que aconteceu com um ano e meio de antecedência. Um zelo antecipatório raramente visto. Coincidentemente — ou não — na mesma sessão em que se discutia a criação de uma CEI para investigar o prefeito da cidade. Estratégia digna de manuais de distração: enquanto uns olhavam para a CPI, a presidência era selada no canto da sala.
Mas nem tudo são flores nos planos de perpetuação. A Justiça de Goiás, provavelmente após consultar o artigo sobre “alternância de poder” na Constituição, suspendeu os efeitos da eleição, acatando mandado de segurança das vereadoras Joana Darc Gomes Alves e Nailda Ramos Camelo Carneiro, que apontaram uma penca de irregularidades no processo. Entre elas, o pequeno detalhe de que três reconduções consecutivas são proibidas, segundo o STF. Mas, convenhamos, quem ainda leva a sério esse negócio de jurisprudência, não é mesmo?
Fábio Vasconcelos já havia comandado a Câmara nos anos de 2023, 2024 e 2025, e achou razoável seguir para mais um — afinal, quem está contando? As vereadoras, ao que parece. E a Justiça também.
Agora, com a eleição suspensa, Fábio terá 10 dias para explicar sua criatividade jurídica. Já a Câmara, por sua vez, deve aguardar os próximos capítulos da novela institucional que, pelo visto, ainda tem muitas reviravoltas no roteiro.
Enquanto isso, a alternância de poder em Uruaçu continua… aguardando sua vez.


