PORANGATU – A tradicional Cavalgada que marcaria a abertura da 53ª Exponorte em 2026 foi oficialmente cancelada. O anúncio foi feito pela presidente do Sindicato Rural de Porangatu, Ana Amélia Avelar Ferreira Paulino, em um vídeo publicado nas redes sociais. A decisão drástica ocorre logo após a assinatura de um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de Goiás (MP-GO).
Segundo a presidente da entidade, o Sindicato Rural chegou à conclusão de que não possui as condições financeiras, operacionais e institucionais necessárias para cobrir e fiscalizar todas as exigências impostas pelo acordo.

O TAC, firmado com a 2ª Promotoria de Justiça de Porangatu, visava disciplinar o evento para garantir a proteção animal, a ordem urbanística, o bem-estar de crianças e adolescentes e a preservação do meio ambiente. No entanto, a complexidade logística para adequar um evento de rua a todas as normativas inviabilizou a sua realização.
As condições que motivaram o cancelamento
Para realizar a Cavalgada de 2026, o Sindicato Rural de Porangatu teria que arcar com a responsabilidade integral sobre os seguintes pontos estabelecidos no documento do MP-GO:
- Proibição total da prainha e da lagoa: O sindicato estava proibido de utilizar o espaço para passagem, descanso, lavagem ou dessedentação dos animais, devendo implementar fiscalização própria para impedir o acesso dos participantes ao local.
- Cadastramento prévio obrigatório: A organização precisaria criar e gerenciar um banco de dados rigoroso, cadastrando antecipadamente todos os integrantes das comitivas e cavaleiros individuais.
- Bem-estar e plantão veterinário: Exigência de um médico-veterinário de sobreaviso para atendimentos emergenciais durante o percurso e a entrega de um relatório técnico em até 10 dias atestando as condições do evento e a ausência de maus-tratos.
- Equipe de controle e fiscalização: Necessidade de montagem de, no mínimo, três pontos de controle com pessoal próprio e identificado para monitorar irregularidades e acionar as autoridades.
- Restrições severas de conduta: Proibição do uso de bebidas em recipientes de vidro e de qualquer equipamento de amplificação sonora ou som automotivo.
- Responsabilidade sobre menores: O sindicato teria o dever de orientar e controlar a participação de crianças e adolescentes, que só poderiam estar no evento com pais ou responsáveis, prestando apoio logístico ao Conselho Tutelar.
- Rigor de trajeto e horário: O evento deveria seguir um trajeto pré-fixado sem desvios (Sindicato, Avenida Brasília, Rodoshopping, Avenida Federal, Rua 02, Rua 14, Caixa Econômica, Sindicato) e cumprir a janela exata de horário das 15h30 às 18h30.
- Prevenção de Maus-Tratos: Proibição de animais amarrados por longas horas antes ou depois do evento nas dependências do Sindicato ou áreas públicas.
- Multas Pesadas: Qualquer descumprimento, seja por ação ou omissão da organização, geraria uma multa de R$ 1.500,00 por infração, além de R$ 2.000,00 adicionais por cada hora de persistência do erro, podendo o valor chegar a R$ 20.000,00.
Diante do peso institucional e do risco financeiro iminente caso as milhares de pessoas esperadas saíssem do controle estrito exigido pelo TAC, a diretoria do Sindicato optou por recuar. Sem a infraestrutura exigida, a decisão encerra, pelo menos para este ano, uma das maiores tradições rurais da cidade de Porangatu.


