Tocantins

Médicos relatam dilema para escolher qual indígena atender em Formoso: "Vai morrer gente na porta"

  • Publicado em 11/Jul/2020 às 21h13 ( atualizado às 21h20).

Com estrutura insuficiente para receber pacientes infectados das aldeias, hospital de Formoso precisa contar com a sorte de encontrar vagas no Hospital Regional de Gurupi, unidade em que morreu na quinta-feira, Juraci Javaé, o primeiro óbito da etnia por Covid-19.

As precárias instalações do hospital Municipal de Formoso não comportam mais tratar de pacientes infectados por Covid-19. O hospital de referência para a região é Gurupi, mas as equipes do local precisam contar com a sorte de ter vaga no Regional de Gurupi, para enviar os pacientes que precisam de oxigênio. Na noite de quinta-feira, 9, por exemplo, não havia vaga.

O hospital de Formoso tem uma enfermaria masculina com 5 leitos, outra enfermaria feminina com mais 5 leitos e 1 enfermaria pediátrica também com 5 leitos. Com a pandemia, o pronto-socorro que tinha três enfermarias também, precisou ser improvisado para leitos Covid-19. Isolou duas enfermarias com três leitos cada para atendimento exclusivo Covid.

Dados do Distrito Sanitário Especial Indígena do Tocantins (DSEI) apontam 65 casos confirmados de Covid-19 entre os javaés que vivem em aldeias na região de Formoso do Araguaia. Outros quase 170 casos suspeitos aguardavam resultado dos exames para esta sexta-feira. Na noite de quinta-feira, houve a morte do primeiro Javaé, pela doença, um indígena de 79 anos, da Aldeia São João.

Os médicos que atuam no hospital local, discutiam o drama de ter de escolher quem deveria "deixar" um leito do hospital para abrir indígenas contaminados na noite de quinta-feira, 9. Um dos plantonistas deu o alerta no grupo que reúne os profissionais em um aplicativo.

O JTo preservou o nome dos profissionais, citados aqui por números, e divulga apenas os diálogos com interesse público.



O diálogo segue com os médicos discutindo alternativas para acudir os indígenas e revelam o temor de ter de escolher quem vai ser atendido.

O JTo contactou a secretaria Municipal de Saúde em Formoso, mas o órgão disse que não iria se manifestar e passou o celular do assessor jurídico da pasta. O advogado João José atendeu o jornal e se desculpou por não ter autorização para falar em nome da gestão alegando que mantém apenas um contrato para prestar serviços de assessoria jurídica para a secretaria.

Fonte: Jornal do Tocantins