A leitura mais criteriosa neste momento é que Dorinha começa com a melhor estrutura, Vicentinho é hoje o adversário com maior capacidade de ameaçá-la, e Laurez tenta transformar o apoio de Lula e sua experiência política em crescimento eleitoral. Ataídes e Witer precisam produzir uma mudança significativa no cenário para entrar na briga principal.
Por Claudemir Brito/Da redação
A corrida pelo Governo do Tocantins entra em uma de suas fases mais importantes, com quatro dos cinco nomes concentrando as principais articulações políticas do Estado: Professora Dorinha Seabra, Vicentinho Júnior, Laurez Moreira, Ataídes de Oliveira e o candidato de esquerda Witer Naves. Com o encerramento das convenções partidárias, o cenário começa a ganhar contornos mais claros, embora ainda exista espaço para ajustes até o registro definitivo das candidaturas.
Professora Dorinha chega ao processo eleitoral respaldada pelo grupo do governador Wanderlei Barbosa e por uma ampla aliança partidária. Sua principal força está na capilaridade política, com prefeitos, parlamentares e lideranças espalhadas pelas diferentes regiões do Estado. O desafio será transformar essa estrutura em voto e, ao mesmo tempo, administrar interesses distintos dentro de uma base numerosa. Nesta terça-feira, 04, o Republicanos definiu Atos Gomes como indicado para vice na chapa, nome que deverá ser homologado na convenção desta quarta-feira, 05.

Professora Dorinha chega ao processo eleitoral respaldada pelo grupo do governador Wanderlei Barbosa e por uma ampla aliança partidária. Foto: Divulgação
Vicentinho Júnior, por sua vez, vem se consolidando como o principal contraponto ao grupo governista. Ao lado do MDB, com Amélio Cayres indicado para vice e Alexandre Guimarães na disputa pelo Senado, o deputado trabalha para ampliar sua presença nos municípios e reunir lideranças que buscam uma alternativa ao atual bloco de poder.

Vicentinho Júnior trabalha para se consolidar como principal contraponto ao grupo governista, ampliando articulações com prefeitos, vereadores e lideranças municipais. Foto: Divulgação
Já Laurez Moreira enfrenta um cenário mais delicado. O vice-governador conseguiu montar uma frente que reúne PSD, PT, PCdoB, PV, PDT e PSB e ainda conta com a aproximação com o governo do presidente Lula. No entanto, a tensão com o senador Irajá Abreu passou a dividir as atenções dentro do próprio PSD.

Nesta terça-feira, 04, Laurez confirmou a retirada da imagem do senador do material da convenção a pedido do próprio Irajá e admitiu a possibilidade de a coligação seguir somente com Paulo Mourão (PT) para o Senado caso a desistência de Irajá seja formalizada.

Os movimentos independentes de Irajá, as ausências em agendas do grupo e, mais recentemente, a retirada de sua imagem de materiais da convenção revelaram um distanciamento que deixou de ser apenas assunto de bastidor. Para Laurez, o desafio agora não é somente crescer eleitoralmente, mas demonstrar unidade justamente no momento em que sua candidatura precisa ganhar musculatura política.
Ataídes de Oliveira tenta ocupar o espaço do eleitor mais crítico aos grupos tradicionais, apostando em um discurso de gestão, liberalismo econômico e combate à corrupção. Já Witer Naves representa uma alternativa mais identificada com a esquerda e busca ampliar espaço em um cenário dominado por candidaturas com maior estrutura partidária.

O candidato do Partido Novo ao Governo do Tocantins, Ataídes de Oliveira, anunciou nesta terça-feira, 4, a indicação da subtenente da Polícia Militar Rosileia Dias Carneiro para o cargo de vice-governadora e do coronel Nilton Santos, da reserva do Corpo de Bombeiros Militar, como candidato ao Senado. Foto: Divulgação
Neste momento, a disputa pelo Palácio Araguaia não se resume apenas a nomes. Dorinha aposta na força da estrutura governista, Vicentinho trabalha para ampliar uma frente de oposição, Laurez tenta evitar que a crise interna do PSD prejudique sua largada, enquanto Ataídes e Witer buscam espaço fora dos grandes blocos.
A campanha começa, portanto, com uma certeza: a eleição de 2026 será decidida não apenas pela força eleitoral dos candidatos, mas pela capacidade de cada grupo de manter suas alianças unidas até outubro.

Natural de Goiânia, Witer Fonseca Naves tem 54 anos, é geógrafo e servidor público. Mestre em geografia eleitoral, atuou como subsecretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Palmas entre 2005 e 2007. Não disputou cargos eletivos anteriormente. Agora, Witer Naves teve sua candidatura ao governo do Tocantins (TO) oficializada pela federação Psol-Rede para as eleições 2026.


