
Secretário dos Povos Originários e Tradicionais do Tocantins, Paulo Xerente, destacou a importância do encontro como marco no fortalecimento de políticas públicas voltadas aos povos indígenas que vivem nas cidades
– Foto: Manoel Jr./Governo do Tocantins
O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), promoveu em conjunto com o Ministério dos Povos Indígenas, o primeiro Seminário Regional de Consulta à Inclusão, Direitos e Desafios dos Indígenas em Contexto Urbano. O evento, teve início no dia 29 de maio, e tem como objetivo escutar diretamente as comunidades indígenas urbanas, promovendo debates sobre políticas públicas de inclusão, estratégias de valorização cultural e garantia de direitos.
O seminário faz parte de uma iniciativa coordenada pelo Ministério dos Povos Indígenas, por meio da Coordenação de Promoção de Políticas para Indígenas em Situação de Contexto Urbano (Copsu), liderada por Maike Terena. Segundo ele, esta é a terceira e última etapa do ciclo regional, que já passou por São Gabriel da Cachoeira/AM e Altamira/PA, com o intuito de contemplar a diversidade das realidades indígenas urbanas na Região Norte do país.
“A escolha dessas localidades se deu por critérios logísticos e estratégicos, visando alcançar o maior número de indígenas em situação urbana. A proposta é construir, com base nessas escutas, uma estratégia nacional para indígenas em contexto urbano, uma vez que ainda não existe uma política pública estruturada voltada especificamente para essa população”, destacou Maike Terena.
Durante a abertura do seminário, o secretário de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), Paulo Xerente, destacou que o encontro é marco no fortalecimento de políticas públicas voltadas aos povos indígenas que vivem nas cidades. “Este seminário é um marco importante para que possamos ouvir, refletir e agir. Os povos indígenas em contexto urbano existem, resistem e têm direitos. Precisamos garantir que suas identidades sejam respeitadas e que suas vozes influenciem diretamente as políticas públicas. Como indígena e gestor, reforço nosso compromisso com a inclusão, a valorização cultural e o diálogo permanente. Juntos, seguimos construindo um futuro mais justo para todos.”
Durante os três dias de seminário, os participantes foram divididos em grupos temáticos que abordaram áreas prioritárias como saúde, educação, habitação, e preservação e promoção cultural. Ao final das discussões, cada grupo apresentou um relatório com propostas e elegeu delegados para representar a região no seminário nacional.
Participaram representantes indígenas de diversos estados, incluindo Tocantins, Pará, Amazonas e Roraima, com destaque para a presença de povos migrantes oriundos da Venezuela que hoje integram o cenário urbano brasileiro.
Liderança do povo Atikum em Gurupi, Lorrayne Atikum, reforçou a relevância do seminário para as comunidades urbanas indígenas. “Vivemos há mais de 50 anos em contexto urbano e lutamos por visibilidade. Esse seminário é uma oportunidade para mostrar que existimos e que temos demandas urgentes, principalmente nas áreas de saúde e educação.”
Ronaldo Funi-ô, do município de São Bento do Tocantins, pertencente a uma etnia oriunda do Nordeste brasileiro, também destacou a importância do encontro. “Esse evento é algo novo, as leis existentes atendem somente os indígenas aldeados. Para o nosso povo é muito importante estar aqui, sendo reconhecidos como povos originários do estado do Tocantins, entrar no site do Governo e ter as informações do nosso povo.”
O diretor de Proteção Indígena da Sepot, Célio Torkã Kanela, reforçou a relevância estratégica do evento para ampliar o alcance das políticas públicas. “Esse seminário tem uma importância fundamental na construção de políticas públicas voltadas aos indígenas que vivem em contexto urbano. No Tocantins, dos 139 municípios, 125 possuem habitantes que se autodeclaram indígenas. Isso evidencia que a presença indígena não se limita às aldeias. É essencial que as políticas públicas contemplem toda essa diversidade e cheguem a todos, inclusive àqueles que vivem fora das aldeias, muitas vezes invisibilizados nas ações do poder público. Reconhecer e incluir esses indígenas urbanos é garantir o direito à identidade, à cultura e à cidadania plena.”
O evento representa um marco histórico na construção de políticas específicas para os povos indígenas que vivem nas cidades. Ao final do ciclo regional, o Ministério dos Povos Indígenas pretende consolidar as propostas e construir uma política nacional voltada a esse segmento, garantindo que as vozes indígenas sejam a base das decisões que impactam suas vidas.


