A ex-prefeita mostrou capacidade de articulação ao reunir apoio de importantes lideranças estaduais, nas eleições de 2024.
O cenário político de Talismã tem passado por transformações silenciosas, mas significativas. Após as eleições de 2024, que por pouco não culminaram em uma candidatura única à prefeitura, o jogo político voltou a se mostrar mais complexo. Nesse contexto, o nome da ex-prefeita Miriam Ribeiro (Progressistas) ressurge com relevância e levanta questionamentos importantes sobre o futuro político do município.
Miriam governou Talismã por dois mandatos consecutivos, entre 2009 e 2016, e teve influência direta na eleição de seu sucessor, Diogo Borges, que permaneceu por dois mandatos (2017-2024). A ruptura da aliança entre ambos, hoje em campos opostos, marca uma reconfiguração de forças locais. Diogo, apoiou a candidatura de Flávio Cristo Rei (União Brasil) como seu sucessor, em uma tentativa de manter o controle político do grupo. Já Miriam, mesmo sem a estrutura de outrora, conseguiu se manter ativa no debate público e foi determinante para impedir que Talismã tivesse apenas um nome na disputa.
A ex-prefeita mostrou capacidade de articulação ao reunir apoio de importantes lideranças estaduais, como o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), o deputado federal Vicentinho Júnior (Progressistas), o vice-governador Laurez Moreira (PDT) e os deputados Gutierres Torquato (PDT) e Ricardo Ayres (Republicanos). Essa rede de apoio sinaliza que, mesmo fora do cargo, Miriam segue sendo uma figura de influência na política regional.

Com possibilidade de racha na base do prefeito Flávio Cristo Rei, ex-prefeita Miriam Ribeiro volta ao cenário político com chances de ser competitiva em 2026 e 2028.
A grande questão que se impõe agora é sobre o que esperar até 2028. A sucessão municipal dependerá, em grande parte, das movimentações de 2026 e de como se comportará a base que hoje sustenta o grupo de Flávio Cristo Rei e Diogo Borges. Caso haja rupturas, insatisfações ou perda de apoio popular, Miriam poderá se posicionar como uma alternativa viável — e até competitiva — para um terceiro mandato.
No entanto, o tempo é um fator decisivo. A ex-prefeita terá o desafio de se manter em evidência, reconstruir bases e apresentar um projeto que vá além do embate com seus antigos aliados. Já seus adversários precisarão demonstrar capacidade de renovação e unidade, evitando repetir os desgastes que enfraquecem administrações em fim de ciclo.
Em meio a esse tabuleiro, Miriam Ribeiro representa hoje mais do que um nome tradicional: ela simboliza o fator de equilíbrio — ou de instabilidade — dependendo de como o jogo político se desenrolar. Sua força não está apenas na memória de gestões passadas, mas na habilidade de se reposicionar em um cenário político em constante movimento.



