Unidade da região sul contabilizou 283 atendimentos e ações em pouco mais de um mês; paralelamente, órgãos de controle apontam desafios na rede municipal de saúde
A Prefeitura de Palmas divulgou um balanço positivo das primeiras atividades do Centro de Referência Especializado de Assistência Social II, localizado no setor Vale do Sol, na região sul da capital. Inaugurada em 18 de maio de 2026, a unidade contabilizou 283 atendimentos e ações entre maio e junho, voltados a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade ou com direitos violados. O número reúne diferentes tipos de atividades e não representa necessariamente 283 pessoas distintas.
Entre os serviços realizados estão acolhidas coletivas, atendimentos psicossociais, visitas domiciliares, oficinas para fortalecimento e reconstrução de vínculos familiares, elaboração de planos de acompanhamento, orientações e encaminhamentos para a rede socioassistencial. Também houve entrega de cestas de alimentos por meio do Programa de Aquisição de Alimentos, o PAA.
O Creas II atende crianças, adolescentes, mulheres, pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua e famílias que enfrentam violência, abandono, negligência, discriminação ou outras violações de direitos. A unidade recebe tanto demandas espontâneas quanto encaminhamentos dos Conselhos Tutelares, delegacias, Ministério Público, Defensoria Pública, Poder Judiciário, hospitais e demais serviços da rede de proteção.
Para a diretora de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Lídia Xavier, o trabalho amplia o acesso aos serviços e contribui para a promoção da cidadania. A gerente do Creas II, Tercilenes Batista, também avaliou que a presença da unidade na região sul aproximou o atendimento das famílias e fortaleceu a rede de proteção social.
Avanço social ocorre em meio a cobranças na saúde
Embora a ampliação da assistência social represente um avanço, a gestão municipal ainda enfrenta cobranças relacionadas ao funcionamento da saúde pública. Em março de 2025, uma vistoria do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins na UPA Sul apontou problemas como falta recorrente de medicamentos, número insuficiente de médicos diante da demanda, falhas no controle de estoque e ausência de informações visíveis sobre escalas de profissionais e canais para reclamações.
A fiscalização também identificou interrupções em exames de raio-X por oscilações de energia, falta de comprovação da manutenção preventiva de equipamentos e subutilização do aparelho de ultrassonografia por ausência de profissional responsável. Diante das constatações, o Tribunal determinou que a Secretaria Municipal de Saúde elaborasse um plano de ação para corrigir as falhas.
Em fevereiro de 2026, durante a apresentação da prestação de contas da saúde na Câmara Municipal, o Ministério Público do Tocantins voltou a apontar questões que exigiam acompanhamento. Entre elas estavam a falta de determinados insumos odontológicos em parte das unidades fiscalizadas, fragilidades na organização das filas de espera e a necessidade de aprimorar os serviços de pré-natal e assistência perinatal. O órgão requisitou um cronograma para correção dos problemas identificados.
Por outro lado, a Secretaria Municipal de Saúde apresentou dados considerados positivos. Segundo o relatório levado à Câmara, foram registrados 162.675 atendimentos relacionados ao acesso a medicamentos no terceiro quadrimestre de 2025. A gestão também informou melhorias na logística de abastecimento e reconheceu que ainda existem desafios no monitoramento de indicadores e na ampliação da rede de atendimento.
O cenário mostra uma administração com resultados recentes na área social, especialmente com a implantação do Creas II, mas que continua sendo cobrada por respostas mais rápidas e estruturadas na saúde. A avaliação dos serviços públicos dependerá não apenas da quantidade de atendimentos divulgados, mas também da continuidade das ações, da qualidade do acolhimento e do cumprimento das recomendações feitas pelos órgãos de fiscalização.


