
Trio que acusa o presidente da Câmara por supostas irregularidades, e cobra economia da prefeitura, já gastou mais de R$ 90 mil em viagens neste ano. Enquanto apontam falhas, aproveitam cada centavo do dinheiro público.
Alvorada (TO) – Se há algo que não falta na Câmara Municipal de Alvorada é disposição para viajar — principalmente quando quem paga a conta é o contribuinte. Os vereadores Eduardo Henrique (Dudu), Hemerson Macedo (o Ratinho) e Leonardo Rinaldi parecem ter encontrado em Brasília mais do que simples cursos de capacitação: um verdadeiro spa do conhecimento, com direito a diárias generosas e aprendizado cinco estrelas. Só em 2025, o trio já pode ter consumido mais de R$ 90 mil em diárias. Tudo, claro, “em nome da qualificação”.
Leonardo Rinaldi é, até agora, o mais aplicado da turma, com cinco idas à capital federal. Dudu, conhecido por sua postura fiscalizadora, foi quatro vezes. Mas o detalhe curioso é que, enquanto viajam às custas do erário, também denunciam o presidente da Câmara, Douglas Mengoni, por supostas irregularidades em contratos e licitações. Mengoni, inclusive, já virou alvo do Ministério Público e do Tribunal de Contas, mas continua firme no posto — investindo em reformas, firmando contratos suspeitos e mantendo o ritmo de gastos acelerado.
A denúncia contra Mengoni, protocolada pelos próprios colegas de plenário, parece saída de um enredo de série investigativa, recheada de suspeitas de desvios, fraudes em licitação e manobras de bastidor. Um escândalo digno de CPI. Mas há um detalhe que o povo de Alvorada não deixou passar: o trio que acusa, também usufrui. Criticam a corrupção, mas, como diz o ditado, “fazem o que o diabo gosta: falam mal do inferno, mas moram lá”.
Enquanto se apresentam como guardiões da moralidade, os mesmos vereadores seguem torrando recursos da Câmara com passagens, hotéis, e diárias que só não ensinam uma coisa: coerência. É uma fome por capacitação que só Brasília consegue saciar — ainda que os resultados dessas viagens sejam, digamos, invisíveis à população.
A ironia cresce quando o trio também levanta a voz contra a prefeitura, cobrando economia e criticando os investimentos nos tradicionais festejos juninos da cidade, que movimentam o comércio local e geram renda para centenas de famílias. Para os vereadores, festa que injeta dinheiro na economia não pode. Mas hotel, café colonial e diárias em Brasília, tudo bem.
E o presidente?
Douglas Mengoni, o alvo da vez, não escapa do cenário caótico. Com acusações pesadas nas costas e um mandato recheado de suspeitas, ele comanda uma Câmara onde todos acusam, mas ninguém devolve diária. O resultado é um teatro político em que os protagonistas trocam farpas enquanto, nos bastidores, todos se beneficiam do mesmo sistema que fingem combater.
No fim, Alvorada assiste a mais um capítulo de um enredo conhecido: discursos inflamados contra a corrupção, enquanto o dinheiro público escorre silenciosamente pelas malas de viagem rumo à capital federal. É o famoso “faça o que eu digo, mas me deixe ir a Brasília com diária paga”.


