Em discurso contundente, Batista Garcia denunciou atrasos salariais crônicos, caos na saúde pública e endividamento irresponsável da prefeitura, cobrando intervenção de lideranças estaduais para proteger a população do município.
SÃO MIGUEL DO ARAGUAIA (GO) — A crise política e administrativa em São Miguel do Araguaia, no norte de Goiás atingiu seu ápice nesta semana. Em um pronunciamento firme e em tom de alerta máximo na tribuna, o presidente da Câmara Municipal, vereador Batista Garcia, expôs o que classificou como um “caos total instalado” na gestão do prefeito Jeronymo Siqueira. Diante da gravidade da situação, o chefe do Legislativo fez um apelo dramático para que ele renuncie ao cargo.
Assumindo a linha de frente em defesa dos servidores e da comunidade, Batista detalhou uma série de falhas graves na administração municipal, com destaque para a desorganização financeira crônica. Segundo o parlamentar, desde meados de 2025, os servidores efetivos amargam atrasos salariais constantes.
O ponto de maior indignação do presidente da Câmara foi a situação dos trabalhadores mais vulneráveis, como os garis. “Se tem uma coisa que nós não aceita [sic] mais é o gari que levanta todos os dias para poder pegar na nossa porta aquilo que nós não tem [sic] coragem de pegar, que recebe um salário desse tamanhozinho… e que o mês de junho só vai receber agora em agosto”, declarou Garcia.
Falta de gestão, não de recursos
Para Batista, o colapso não é justificável por falta de dinheiro. Ele foi categórico ao afirmar que a arrecadação municipal está em alta, o que torna a crise atual fruto exclusivo de má gestão. “Existe queda de receita? Não. Pelo contrário, a receita do município vem melhorando”, pontuou o vereador, revelando que o dinheiro público estaria escoando para “contratos em cima de contratos que não deveriam haver na prefeitura”.
As consequências desse descontrole, segundo o relato do presidente, paralisaram o município. Ele listou o acúmulo de dívidas da prefeitura com fornecedores, com o fundo previdenciário Araguaia Prev, com o Ipasgo e o não repasse de empréstimos consignados, o que tem feito com que servidores sejam cobrados indevidamente pela Caixa Econômica Federal. Na saúde, o quadro descrito é desolador: o hospital municipal sofre com a falta de insumos e medicamentos básicos, além da paralisação nas filas de cirurgias eletivas.
Apelo à renúncia e pedido de socorro estadual
Lembrando que foi um dos principais aliados na eleição de Jeronymo Siqueira, Batista Garcia demonstrou profunda decepção com o rumo da gestão e cobrou coerência com as promessas de campanha. “O senhor foi eleito para fazer a diferença. Você pregou que ia fazer a diferença e nós acreditamos em você. Agora você quer que a gente mantenha do seu lado da forma que você está? Nunca”, sentenciou.
Diante do cenário insustentável, o presidente da Câmara fez um apelo público direcionado aos pais do prefeito, reconhecidos como pessoas respeitadas na sociedade local: “Ajudem o filho de vocês. Convençam ele a pedir a renúncia para o bem dele, para o bem de nossa cidade, e para o bem de todos nós”.
Finalizando seu discurso, Batista Garcia elevou o tom da cobrança e municipalizou o pedido de socorro, acionando as mais altas esferas do governo de Goiás. O vereador cobrou diretamente o olhar do governador Daniel Vilela, além de secretários de Estado, senadores e deputados que possuem compromisso com a região. O objetivo, segundo o presidente da Câmara, é que as lideranças estaduais tomem ciência do sofrimento da população e intervenham para garantir que São Miguel do Araguaia não seja destruída pela atual irresponsabilidade administrativa.


