A política tocantinense ganhou um novo capítulo. Circula com força nos bastidores que o governador afastado Wanderlei Barbosa, ainda tentando recuperar oxigênio político, teria agora redirecionado seu afeto eleitoral para a senadora Dorinha Seabra como nome para disputar o Governo do Tocantins em 2026 — tudo sob a batuta discreta (ou nem tanto) do senador Eduardo Gomes, como diz meu amigo Negão do Bico, o gigantão das reconciliações impossíveis.
A guinada é, no mínimo, pitoresca. Até outro dia, o mesmo Wanderlei defendia com unhas, dentes e cachoeiras, o nome de Amélio Cayres como candidato oficial do seu grupo. Do outro lado, Dorinha fazia malabarismo de bastidores para interferir na composição da chapa e dizia em áudio vazado que “seguraria Wanderlei no cargo” — promessa que hoje soa tão crível quanto previsão de vidente de WhatsApp.
Não segurou. Nada. Nem vento.
Wanderlei foi afastado, perdeu base, perdeu força, perdeu discurso e, pelo visto, perdeu também o GPS político. Nem Brasília, com toda pressão jurídica e força de advocacia premium, conseguiu reconstruir sua ponte de volta ao Palácio Araguaia.
É nesse contexto que surge a pergunta que muitos cochicham, mas poucos ousam falar em público: Wanderlei apoia Dorinha por convicção ideológica ou apenas porque está sem chão e precisa desesperadamente de um guarda-chuva político?
De repente, aquele que jurava rumo próprio agora mira a senadora como boia de salvação. Não para apoiar um projeto de Estado, claro, mas para voltar a respirar influência nos bastidores — já que, institucionalmente, sua volta ao governo é tão provável quanto água subir morro.



