Antes de a terceirização das UPAs Norte e Sul de Palmas entrar no centro da Operação Falsa Emergência, o prefeito Eduardo Siqueira Campos chegou a defender publicamente o modelo de contratação de empresas privadas para a prestação de serviços públicos.
Durante anúncio de obras na área da saúde, Eduardo respondeu a críticas sobre a terceirização e afirmou que parte da rede pública já funciona com serviços contratados da iniciativa privada, citando guardas terceirizados, atendentes de empresas contratadas, médicos que atuam como pessoa jurídica e exames realizados por laboratórios privados.
Na ocasião, o prefeito disse ser defensor do Sistema Único de Saúde, mas argumentou que a gestão de determinados serviços pode ser feita por empresas especializadas.
“Eu creio no SUS, sou um apaixonado pelo SUS. Mas a gestão dos recursos públicos precisa funcionar”, afirmou.
A suspensão judicial da terceirização das UPAs Norte e Sul abriu uma nova frente de embate em Palmas e levou Eduardo Siqueira Campos a reagir em tom firme. Em entrevista, o gestor afirmou que a decisão do Tribunal de Justiça era de difícil execução prática e defendeu o modelo implantado pela prefeitura, dizendo que a população já começava a sentir os resultados.
Eduardo também comparou o modelo da saúde a contratos em outras áreas, como transporte público e alimentação escolar, defendendo que cada serviço seja executado por quem tem capacidade técnica para isso.
“Cada um fazendo o seu papel: quem sabe cuidar de ônibus cuida de ônibus, quem sabe cuidar de comida cuida de comida”, disse.
Agora, com o avanço da investigação sobre o contrato firmado com a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba para administrar as UPAs da capital, e prisão da secretária de Saúde, Dhieine Caminski, a apuração deve indicar se houve irregularidades no processo, quem tinha conhecimento do suposto esquema e qual foi o grau de participação de cada envolvido.
O contrato investigado prevê repasses de aproximadamente R$ 139 milhões para a gestão das duas unidades. A legalidade da contratação segue sob análise da Justiça.


